Eleições 2026: presidenciáveis começam a campanha em seus berços políticos

Lula no ABC e Flávio em Copacabana

Os principais candidatos à Presidência buscaram seus berços políticos para começarem a campanha neste domingo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deu início à corrida pelo seu quarto mandato em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, e o senador Flávio Bolsonaro (PL) teve seu primeiro ato em Copacabana, na Zona Sul do Rio.

O dia também teve Ronaldo Caiado em carreata no interior de Goiás, Romeu Zema no Norte de Minas Gerais e Renan Santos em um evento na Universidade de São Paulo (USP). A partir deste domingo, 16 de agosto, os candidatos já podem pedir voto explicitamente, distribuírem materiais gráficos e realizarem eventos presenciais como comícios, carreatas e passeatas.

Reprodução Google

Lula

No primeiro ato da campanha à reeleição, neste domingo (16), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se apresentou como “um peão” que conhece “o coração e a mente” do povo brasileiro. O petista fez diversas menções a Deus, fez aceno às mulheres e prometeu criar um ministério para a segurança pública para “libertar” favelas e bairros pobres dominados pelo crime organizado.

— Vocês colocaram na presidência uma peão, quase um analfabeto. Eu só tenho o primário e um curso do Senai. Mas eu conheço o coração e a mente de vocês. E eu tenho certeza que os outros que passaram por esse país não conheceram — disse Lula.

O presidente Lula, candidato à reeleição, faz ato inaugural da campanha no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo / Crédito: Ricardo Stuckert

O PT organizou um comício no Estádio 1° de Maio, em São Bernardo do Campo (SP), “onde tudo começou”, em referência a greves lideradas por Lula em 1979, quando era a principal voz do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Ele esteve ao lado de Fernando Haddad (PT), que tenta derrotar o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) na corrida pelo governo do estado de São Paulo.

Lula subiu ao palco após uma contagem regressiva de 13 minutos, em referência ao número de urna do PT. Ele assistiu a depoimentos de colegas do movimento sindical, com relatos sobre a repressão da greve na ditadura. Na sequência, recebeu o grupo presencialmente com uma versão instrumental do jingle “Lula Lá”, de 1989.

Flávio Bolsonaro

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chamou o presidente Luíz Inácio Lula da Silva (PT) de “caloteiro da esperança” e subiu o tom contra o governo neste domingo, na Praia de Copacabana, na largada da campanha nas ruas. O presidenciável também subiu o tom contra o governo em um discurso focado na segurança pública e nos atritos com os Estados Unidos.

Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar, candidatos a presidente e vice-presidente pelo PL / Crédito: Vittor Sales

— O atual governo briga com países que estão a 10 mil quilômetros de distância da gente, em outro continente, mas não briga com o ladrão vizinho, com traficante, com estuprador, assaltante e assassino. Um governo que não tem a capacidade e a vontade de defender quem mora aqui também não tem condições de manter a soberania sobre seu próprio território. Ou [esse governo] está fechado com o crime organizado ou é muito incompetente — disse. — Disseram que Lula traria esperança para o povo brasileiro. O que era esperança virou medo […]. O Lula é o caloteiro da esperança.

O senador também afirmou que, por conta do crime organizado, o país “perdeu a soberania” e culpou a gestão federal pelo aumento do endividamento. Flávio também afirmou que a “corrupção chegou dentro do gabinete do presidente”, em referência às investigações contra Marco Aurélio Ribeiro, ex-chefe de gabinete de Lula investigado pela Polícia Federal.

Ronaldo Caiado

O candidato à presidência pelo PSD, Ronaldo Caiado, iniciou sua campanha em Goiás afirmando que o PL está “apavorado” e que ele é o único com condições de superar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno.

— Não adianta você lançar um candidato que, ao chegar lá, vai ficar explicando os seus problemas. Não ganha eleição. Precisa de alguém que possa sentar com autoridade para enfrentar os desmandos do PT no poder. E aí vocês sabem que o Caiado tem todas as condições — declarou Caiado, referindo-se a si mesmo em terceira pessoa e fazendo críticas ao candidato do PL, Flávio Bolsonaro.

A declaração de Caiado sobre o PL ocorre depois de o senador Rogério Marinho (PL), coordenador da campanha de Flávio, classificar o PSD como “linha auxiliar” de Lula.

— Eles estão desesperados. Todo dia é um problema e uma surpresinha — disparou o ex-governador. — Esse pessoal está apavorado. O único político com mandato no Brasil que é oposição ao PT e nunca votou no Lula é Ronaldo Caiado.

Romeu Zema

Romeu Zema (Novo) iniciou oficialmente neste domingo (16) sua campanha à Presidência da República. O primeiro compromisso do candidato foi em Montes Claros, no Norte de Minas Gerais, onde participou de uma missa e programou uma caminhada pelas ruas da região central da cidade.

Zema começou o dia na Paróquia Nossa Senhora da Conceição e São José. O candidato chegou ao local pela manhã para acompanhar a celebração acompanhado do candidato a deputado federal Marcus Vinicius (Novo) e da mulher dele.

— Nós temos três pilares. Vamos dar três choques no Brasil. Um choque ético e moral, para acabar com a corrupção. Um choque contra a gastança do Lula e do PT, para os juros cair e o dinheiro do brasileiro voltar a valer. E também um choque contra as facções e organizações criminosas, para acabar com esse país em que o crime está dominando — falou ao g1 sobre prioridades da campanha.

Renan Santos

O presidente do partido Missão começa a campanha em um ato por volta das 13h, um evento em frente à Faculdade de Direito do Largo São Francisco, da Universidade de São Paulo (USP), com discursos políticos e uma apresentação musical do próprio candidato. Ele é ex-aluno da instituição, mas declarou à Justiça Eleitoral que não completou o ensino superior.

A marcação do ato de Renan na USP provocou reação de entidades estudantis. Elas dizem que “os estudantes não aceitarão que o espaço histórico da Faculdade de Direito da USP seja utilizado para a promoção de discursos e projetos de extrema-direita”. Já Renan afirmou que o protesto poderá contribuir para dar visibilidade para sua candidatura.

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