Ana Lima escreve sobre uma “pequena Banca de Jornal”

O Velho Jornal
Na Rodoviária Saudadense, em Branca da Saudade, havia uma pequena banca de jornal que, por décadas, fez parte da rotina da cidade.
Ali, as manhãs começavam cedo. Antes mesmo de o primeiro ônibus chegar, as portas já estavam abertas, prontas para receber viajantes, trabalhadores e moradores que faziam dali uma parada quase obrigatória. Nas prateleiras, havia jornais com as notícias do dia, revistas dos mais variados assuntos, gibis que encantavam as crianças e álbuns de figurinhas que alimentavam a paixão pelo futebol. Sempre existia uma leitura esperando por alguém.
Entre embarques e desembarques, a banca era muito mais do que um ponto de vendas. Era um lugar de encontros, despedidas e pequenas conversas. Antes de viajar, muitos escolhiam uma revista para acompanhar o caminho. Ao retornar, compravam um jornal para saber das novidades da cidade. Em poucos metros quadrados, a banca reunia histórias, sonhos e expectativas.

Assim permaneceu por quase oitenta anos, atravessando gerações e acompanhando as transformações de Branca da Saudade.
Então chegou a era digital. As notícias passaram a caber na tela dos celulares, as revistas ganharam versões virtuais e os hábitos mudaram. Aos poucos, o movimento foi diminuindo. As páginas impressas perderam espaço, e o silêncio tomou conta daquele pequeno lugar.
A banca fechou as portas!
Durante muito tempo, permaneceu ali, silenciosa, como se guardasse entre suas paredes as lembranças de todos que um dia passaram por aquele balcão.
Até que alguém decidiu escrever um novo capítulo para aquele espaço.
Onde antes se vendiam notícias, passaram a ser servidos aromas e sabores. A antiga banca transformou-se em um acolhedor ateliê de lanches, oferecendo salgados, doces, cafés, sucos e tantas outras delícias aos viajantes e moradores.
A velha banca já não vendia jornais, mas continuava cumprindo sua missão: fazer parte da vida das pessoas. Antes alimentava a mente com palavras; agora aquecia o coração com um café quentinho, um pedaço de bolo e novas histórias que nasciam a cada dia.
Durante muitos anos, os cidadãos saudadenses acompanhavam as notícias da economia, da cultura, do esporte e até os capítulos das novelas pelas páginas do velho jornal. Era ali que o mundo chegava à cidade, folha por folha.
Hoje, tudo cabe na palma da mão ou chega instantaneamente pela televisão e pela internet. O mundo evoluiu, a informação tornou-se imediata e os hábitos mudaram.
Mas fica uma pergunta:
Será que os cidadãos saudadenses não sentem saudade da sensação de abrir um jornal, sentir o cheiro do papel e encontrar, logo na primeira página, a manchete que marcava o início de um novo dia? Por Ana Lima



Cardoso Moreira , lugar que nasci e morei até meus 19 anos.
Há 46 anos sai de Cardoso, mas esta bela cidade nunca saiu de mim.
Com os belos Contos de Ana Paula eu me vejo criança, livre, alegre, quantas saudades dos meus 19 anos em Cardoso Moreira.
Parabéns Conexãoregional.com por dar espaço para Ana Paula nos relembrar essas memórias inesquecíveis.