Uma mãe “bordadeira de sonhos”

Nossa colaboradora homenageia sua mãe

A nossa colaborada Ana Lima no mês de maio, denominado por muitos como o “Mês das Mães”, faz em uma Crônica Poética em homenagem a sua mãe Geysa. Tenho certeza se você leitor conhece Dona Geysa, como eu, desde crianças, pois ela foi uma das amigas da minha mãe durante anos de trabalhos na Rede Estadual de Educação, vai se emocionar e “viajar” no texto repleto de lembranças e afeto.

Mãe Bordadeira de Sonhos

Em Cardoso Moreira, vive uma bordadeira de mãos encantadas.
Costureira de primeira, transformava tecidos em sonhos: camisolas, quimonos, lençóis e colchas ganhavam vida sob seus dedos.
A máquina era sua companheira fiel.
A linha brilhante dançava obediente, enquanto o bastidor subia, desenhava curvas suaves e descia como quem respira.
E então — de repente — a arte nascia.
Quando o bordado pedia mais corpo, mais presença, mamãe trocava a linha, ajustava o carretel e o desenho surgia em relevo: delicado, vivo, quase pulsando.
Eu ficava ali, encantada, vendo minha mãezinha bordar o mundo com paciência e amor.

Minha mãe sempre foi — e ainda é — uma bordadeira admirada por muitos.
Mas seu talento não se limitava aos tecidos.
Na cozinha, ela também bordava. Bordava sabores.
Fazia bolos de casamento e aniversário que perfumavam a casa e enchiam os olhos antes mesmo do primeiro pedaço.
Com glacê real, desenhava flores, rendas e sonhos, como se cada bolo fosse um pano branco esperando carinho.
Talvez por isso meus pais fossem tão escolhidos como padrinhos de casamento e batizado.
Porque mamãe não bordava apenas tecidos ou bolos — ela bordava afetos, celebrava amores e deixava, em cada detalhe, um pedaço da própria alma.

Sr. Luiz Gastão e Dona Geysa, foram casados por 69 anos.

Hoje, ela tem 91 anos. E carrega no olhar o tempo transformado em amor.
Foi menina de sonhos simples, mulher de coragem silenciosa, e tornou-se raiz profunda de uma família inteira.
De seu ventre nasceram 6 filhos. De seus ensinamentos floresceram 16 netos. De seu carinho surgiram 17 bisnetos. E, como um presente raro da vida,1 tataraneto— prova viva de que o amor verdadeiro atravessa gerações.

Dona Geysa, eu marido no dia que conheceram seu tataraneto, Noha.


Ela não construiu apenas uma família. Construiu histórias. Construiu valores. Construiu laços que o tempo não desfaz.
Cada ruga é um testemunho.
Cada sorriso, uma bênção repartida.
Hoje, celebramos não apenas seus anos, mas tudo o que ela semeou — e que continua crescendo, forte,
em cada descendente que carrega um pouco dela no coração.
Ela é memória viva.
Ela é origem.
Ela é amor multiplicado.
Neste Dia das Mães, fica a mais bela poesia: o amor de mãe é eterno, e merece honra todo dia!!

Arquivo Pessoal

por Ana Lima

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