No “Dia de Finados” Ana Lima nos convida a refletir…

Finados deve ser um dia de tristeza?

Ana Lima nos faz pensar sobre o Dia de Finados. Será que neste dia devemos ter, sentir, somente, saudade daqueles que nos deixa, partem? Não seria um dia também para termos gratyidão, pelos que se foram, relembrar momentos? Leia abaixo uma crônica que nos leva a refletir e com certeza, “olhar” o Dia de Finados “com outros olhos”.

Uma história de lembranças e saudades

1º de novembro de 2024 — sexta-feira
Foi numa sexta-feira, dia 1º de novembro de 2024, que vivi um momento muito especial: o casamento de Raquel e Renato.
Não participei da cerimônia do casamento civil, mas estive presente na recepção, levando comigo uma lembrança muito bonita que comprei para Raquel. Era um presente para que ela pudesse usar no dia a dia, em casa, e o escolhi com muito carinho. A recepção foi contagiante e aconteceu na casa de um casal maravilhoso, os avós da noiva: dona Dorinha e seu Mitinho.
Naquela casa, também me senti em casa. Havia algo de especial naquele ambiente, no acolhimento e na presença daquelas pessoas, que me faziam sentir parte daquele momento tão bonito.
Dona Dorinha e seu Mitinho eram pessoas especiais. Hoje, já não estão fisicamente entre nós, mas permanecem vivos no coração daqueles que os amavam.
Há pessoas que deixam marcas tão profundas em nossas vidas que nem mesmo a ausência consegue apagá-las. Elas continuam presentes nas lembranças, no carinho, nos ensinamentos e nas histórias que contamos.
Raquel e Renato estavam lindos! Os dois irradiavam beleza e alegria, tornando aquele momento ainda mais especial.
Mas uma pergunta ficou no ar: por que escolheram se casar justamente no Dia de Todos os Santos?

Imagem Àlbum de Família


A resposta era mais simples do que eu imaginava. Como o dia seguinte seria feriado nacional, o casal teria a oportunidade de aproveitar mais um dia juntinho durante a lua de mel. Afinal, Raquel e Renato trabalhavam na mesma empresa, e aquela escolha lhes permitiria prolongar um pouco mais a comemoração. Eles só retornariam ao trabalho na segunda-feira, depois de desfrutarem de dias de amor, descanso e felicidade.
Uma reflexão sobre a vida e a saudade
Às vezes, ao assistir a filmes mexicanos, vejo como o Dia dos Mortos é celebrado com festas, cores e homenagens àqueles que já partiram.
Não há uma relação direta entre essa celebração e o casamento de Raquel e Renato, mas essa lembrança me leva a uma reflexão: talvez não devêssemos olhar para o Dia de Finados apenas com tristeza pela perda dos entes queridos, mas também com gratidão por tudo o que eles representaram em nossas vidas.
Afinal, aqueles que amamos deixam marcas que o tempo não apaga. Permanecem nas histórias que contamos, nos ensinamentos que carregamos e nos momentos felizes que continuam vivos em nossa memória.
E se, nesse dia, vemos lágrimas, mas também sorrisos, abraços e até uma festa de casamento, será que isso também não pode ser uma forma bonita de celebrar a vida e honrar aqueles que vieram antes de nós?


Talvez exista uma ligação afetiva entre os que partiram, os que estão presentes e aqueles que ainda virão. Não necessariamente uma explicação, mas um sentimento que nos faz perceber que o amor não desaparece com a ausência.
Ao recordar o casamento de Raquel e Renato, penso que dona Dorinha e seu Mitinho, tão especiais e tão queridos, continuam presentes na história dessa família por meio das lembranças e do amor que deixaram.
Quem sabe, de alguma maneira, a memória deles também tenha participado daquela celebração? Não podemos afirmar, mas podemos sentir que o amor que construíram permanece vivo nas pessoas que tiveram o privilégio de conhecê-los.
Porque a vida segue, o amor permanece e cada nova união também pode ser uma celebração de todas as histórias que nos trouxeram até aqui.
Afinal, algumas pessoas partem fisicamente, mas jamais deixam de fazer parte da nossa história. E talvez uma das maneiras mais bonitas de homenageá-las seja continuar vivendo, amando e celebrando a vida.

Por Ana Lima

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