Governo finaliza auditorias da gestão Claudio Castro e envia à PGR elo entre Douglas Ruas e grupo de Altineu Côrtes

R$ 2,6 bilhões foram auditados

Altineu Côrtes, Claudio Castro e Douglças Ruas – Reprodução

O Governo do Estado concluiu um ciclo de 30 auditorias em contratos sob suspeita na gestão do ex-governador Cláudio Castro, totalizando pelo menos R$ 2,6 bilhões em recursos públicos analisados. O material foi compilado pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e encaminhado ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). Como o caso envolve autoridades com prerrogativa de foro, uma das frentes foi remetida à Procuradoria-Geral da República (PGR).

A varredura administrativa, determinada pelo Decreto 50.254/2026 após alertas de sobrepreço da Controladoria Geral do Estado (CGE), esgotou a atuação do Executivo e busca agora o aprofundamento das investigações nas esferas cível e criminal. As fiscalizações expõem falhas graves e desvios de finalidade, abrangendo desde milhares de livros didáticos acumulados em depósitos até serviços de limpeza contratados por um órgão de regularização fundiária.

O CASO DE DOUGLAS RUAS E ALTINEU CÔRTES

O eixo central enviado à PGR envolve o ex-secretário estadual das Cidades Douglas Ruas — deputado estadual e candidato ao governo pelo PL — e o deputado federal Altineu Côrtes, presidente regional da legenda.

Reprodução Google

Segundo a CGE, Ruas comandou a Secretaria das Cidades (Secid) entre setembro de 2023 e março de 2026, período em que os auditores identificaram um “circuito de relações interligadas” entre as famílias dos políticos. Entre os indícios, aponta-se que a Mineração Santa Edwiges — cujo sócio é o filho de Altineu Côrtes — forneceu massa asfáltica para obras da Secid concentradas em São Gonçalo, município administrado pelo prefeito Capitão Nelson, pai de Ruas.

Paralelamente, a auditoria detectou vínculos societários e patrimoniais entre a empresa Saur Construção (da qual Ruas detém 90% do capital) e a Normandia Empreendimentos, ligada ao clã Côrtes. Os relatórios destacam que o lucro líquido acumulado pela Saur chegou a R$ 19,6 milhões até novembro passado, com transferências de R$ 15,9 milhões em dividendos a Ruas — montante que supera em mais de 12 vezes o patrimônio declarado por ele à Justiça Eleitoral em 2022.

IRREGULARIDADES EM SÉRIE: ASFALTO, CURSOS E LIVROS ENCAIXOTADOS

Além da Secid — que também é investigada por um aditivo de 45,4% em um contrato de recapeamento com a FP Vieira Engenharia, superando o teto legal de 25% —, as auditorias destrincharam contratos em diferentes pastas:

● Cursos fantasma: A Secretaria Extraordinária de Representação em Brasília contratou sem licitação o Instituto NTC do Brasil por R$ 7,6 milhões para seminários online. A auditoria revelou que mais de 90% dos 4.800 inscritos registraram carga horária zerada, e apenas nove participantes receberam certificação.

● Estoque de livros: A Secretaria de Governo adquiriu 100 mil kits de publicações sobre os riscos do álcool ao volante por R$ 25,7 milhões. Grande parte do material foi localizada encaixotada em depósitos, embora houvesse proposta inicial no valor de R$ 12,9 milhões.

● Limpeza atípica: O Instituto de Terras e Cartografia do Estado (Iterj), focado em regularização fundiária, viu seu orçamento saltar de R$ 9,2 milhões para R$ 101,4 milhões entre 2021 e 2022. Metade dos gastos foi direcionada a uma única empresa para serviços de manutenção de praças.

● Rodovias e presídios: No DER-RJ, um contrato de R$ 36,3 milhões para transporte de escória de aço teve o volume contratado inflado em 275% sem justificativa técnica. Na Secretaria de Polícia Penal, a prorrogação emergencial de serviços de alimentação em Campos dos Goytacazes registrou indícios de cartel e projeção de alta de até 80% nos custos por refeição na nova licitação.

Fonte Mídia Informal

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