Douglas Ruas quer acabar com OSs mas seu pai gasat R$ 124 milhões com esse modelo
Na prefeitura de São Gonçalo, onde é prefeito

A proposta do candidato do PL ao Governo do Rio, Douglas Ruas, de extinguir a gestão da saúde por Organizações Sociais (OSs) contrasta com a prática adotada em São Gonçalo, município governado por seu pai, Capitão Nelson (PL). Em sabatina à Super Rádio Tupi realizada em 25 de agosto de 2026, o postulante defendeu a transição gradual para a administração direta dos hospitais estaduais, afirmando que a iniciativa privada deve atuar sem intermediários e que os contratos vigentes não terão continuidade.
A posição gera contradição política, uma vez que a prefeitura gonçalense mantém repasses milionários a entidades privadas. Além do vínculo familiar com o prefeito, Douglas exerceu o cargo de secretário de Gestão Integrada e Projetos Especiais do município entre 2021 e 2022, período em que o modelo já estava consolidado.
Contratos somam mais de R$ 124 milhões anuais. A Fundação Municipal de Saúde de São Gonçalo destina somas expressivas a organizações sociais para a manutenção da rede de atendimento: Pronto Socorro Central Dr. Armando Gomes de Sá Couto: Gerido pelo Instituto Rosa Branca, o contrato teve renovação anual de R$ 83,3 milhões (cerca de R$ 6,94 milhões mensais).
UAMPA Pacheco e UAMPA Nova Cidade: Sob responsabilidade da Prima Qualitá, as unidades demandam R$ 41 milhões ao ano.
Outras Unidades: O município também mantém vínculo com a OS InSaúde para o funcionamento da UAMPA Santa Luzia e do Serviço de Atenção Domiciliar (SAD).
Os custos atuais representam alta expressiva em relação a períodos anteriores. Em 2020, a gestão do Pronto Socorro Central repassava R$ 4,44 milhões mensais à gestora da época (InSaúde), segundo auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU). O valor atual cobrado pelo Instituto Rosa Branca reflete um aumento de 56,3% no custo médio mensal.
Questionamentos do TCE e impactos trabalhistas. O modelo de terceirização coleciona apontamentos de órgãos de fiscalização e transtornos para trabalhadores:
Suspensão pelo TCE-RJ: Em setembro de 2025, o Tribunal de Contas do Estado determinou a paralisação de um contrato de R$ 116,4 milhões que incluía o Hospital Infantil Darcy Vargas, após representação do vereador Isaac Ricalde (PCdoB). O parecer técnico do tribunal alertou para riscos financeiros e de interrupção na prestação dos serviços.
Passivo trabalhista: A transição de gestão na rede municipal gerou protestos em novembro de 2025, quando cerca de 400 funcionários demitidos pela InSaúde relataram o não pagamento de verbas rescisórias e direitos trabalhistas.
Fonte SG InFoco


