França registra mil mortes acima do esperado devido à onda de calor recorde

Número pode ser maior, segundo autoridades

Uma mulher na Praça do Trocadéro, perto da Torre Eiffel, enquanto as temperaturas sobem em Paris durante uma segunda onda de calor que afeta grande parte da França  • Sarah Meyssonnier/Reuters via CNN Newsource

Autoridade de saúde do país ponderou que número real é provavelmente maior, já que nem todos os dados foram contabilizados ainda.

A França registrou 1.000 mortes acima do esperado durante a onda de calor escaldante que varreu a Europa, informou neste domingo, 28 de junho, a agência de saúde pública, alertando que o número real provavelmente seria maior.

Detalhando sua contagem preliminar de mortes em excesso, a Santé Publique disse que a maioria das fatalidades envolveu pessoas idosas e que esperava que a taxa de mortalidade aumentasse à medida que mais informações ficassem disponíveis sobre mortes em residências e casas de repouso.

Os europeus enfrentam recorde de temperaturas durante uma onda de calor que foi associada a dezenas de mortes – prejudicando a produção de energia e danificando infraestrutura.

Os cientistas afirmaram que a onda de calor, que começou em 20 de junho, foi a pior registrada na Europa, onde o clima muda mais rapidamente do que a média global.

Diminuição do calor

A onda de calor tem se movido para o leste da Europa. Mas, embora a agência meteorológica francesa tenha dito que o calor extremo diminuiu na maior parte do país, algumas áreas no nordeste ainda estavam sob alerta.

A Ministra da Saúde, Stephanie Rist, disse ao jornal La Tribune que o impacto da onda de calor pode persistir por até 10 dias após as temperaturas amenizarem.

“O episódio não está terminado”, ela disse à emissora BFM.

REUTERS/Abdul Saboor

A maioria das mortes envolveu pessoas com 65 anos ou mais, embora os efeitos sobre a saúde do calor extremo tenham afetado todas as categorias da população, disse Santé Publique.

Escolas fecharam mais cedo e granjas avícolas foram destruídas devido às altas temperaturas.

Toda Europa foi atingida por uma onda de calor desde a quarta-feira, 24 de junho, que quebrou recordes, causou a morte de dezenas de pessoas, fechou escolas, interrompeu o fornecimento de energia elétrica e destruiu granjas avícolas.

Na terça-feira, 23, foi registrado na França o dia mais quente desde que os registros começaram, há quase 80 anos.

As autoridades buscaram restabelecer a energia elétrica em milhares de residências afetadas por cortes de luz na região noroeste da Bretanha, na França.

A temperatura máxima registrada foi de 44,3 graus Celsius na cidade de Pissos, no sudoeste do país.

O Ministério da Saúde da Itália emitiu o alerta máximo de calor para 16 cidades, de Florença e Milão a Roma, Turim e Verona.

No Reino Unido, que caminha para o dia mais quente já registrado em junho, o serviço meteorológico Met Office emitiu o segundo alerta de calor extremo da história.

Centenas de escolas permaneceram fechadas ou encerraram as aulas mais cedo, já que as altas temperaturas poderiam colocar até mesmo pessoas saudáveis em risco.

Pelo menos 48 pessoas morreram afogadas na França enquanto tentavam se proteger do calor intenso, e duas crianças morreram asfixiadas dentro de um carro, disseram as autoridades.

Ao menos duas pessoas idosas morreram de insolação na Espanha, país que vem registrando temperaturas extremas desde o fim de semana, ultrapassando os 40°C.

As temperaturas começaram a cair na quarta-feira, 24, depois de segunda-feira, 22 e terça-feira, 23 de junho, terem sido os dias mais quentes já registrados para o final de junho, informou a agência meteorológica nacional Aemet.

As temperaturas escaldantes mataram milhares de aves em granjas avícolas na Bretanha e no Pays de la Loire, informaram entidades agrícolas francesas.

Os produtores que aguardavam a coleta ou o enterro das aves foram aconselhados a cobrir as carcaças com serragem ou aparas de madeira para absorver o líquido.

As aves mortas só puderam ser enterradas nas granjas após inspeções técnicas e ambientais.

As centrais nucleares que fornecem a maior parte da eletricidade na França reduziram sua produção em cerca de 7% da demanda de eletricidade nesta quarta-feira, 24, devido às altas temperaturas que diminuíram o acesso à água de resfriamento.

Padrão climático raro

Um padrão climático raro conhecido como bloqueio Ômega estava causando temperaturas recordes em toda a Europa, chegando a 18 °C acima do normal, segundo o Monitor Climático da Reuters.

O fenômeno assemelha-se à forma da letra grega Ômega, com um centro bulboso que aprisiona o calor intenso, pairando sobre regiões por períodos prolongados, enquanto as extremidades apresentam clima mais ameno.

A agência meteorológica Meteo-France afirmou que as condições são comparáveis ​​a uma onda de calor ocorrida em agosto de 2003, que durou 16 dias e causou cerca de 80 mil mortes adicionais em toda a Europa.

A Europa está aquecendo a um ritmo mais que o dobro da média global, segundo a Organização Meteorológica Mundial, o que torna cada vez mais prováveis ​​episódios prolongados de calor.

Eventos são afetados em toda a Europa

A Torre Eiffel anunciou seu horário de fechamento antecipado, e a Troca da Guarda em frente ao Palácio de Buckingham foi reduzida, sem a cerimônia habitual de soldados com túnicas escarlates e pesados ​​chapéus de pele de urso.

Em Paris, onde acontecia a Semana de Moda anual, era possível ver espectadores ofegantes e suando durante o desfile da Louis Vuitton, enquanto modelos masculinos exibiam criações do cantor pop Pharrell Williams. 

Marcas como Dior e Rick Owens alteraram seus horários para realizar desfiles pela manhã, disseram os organizadores.

Um alerta de calor extremo foi emitido em toda a Holanda, onde esportes ao ar livre foram cancelados, o transporte público foi reduzido e as escolas encurtaram as aulas ou fecharam, já que as temperaturas deveriam chegar a 36°C.

Na Suíça, as autoridades abriram cinemas com ar-condicionado para sessões gratuitas durante o dia.

Empreiteiras de construção em todo o continente alteraram os horários de trabalho para que os funcionários pudessem evitar o pior, enquanto os varejistas lutavam para atender à demanda por ventiladores e condicionadores de ar portáteis.

A maior rede de supermercados do Reino Unido, a Tesco, afirmou que espera um aumento de mais de 72% nas vendas de protetor solar esta semana e um aumento de 48% nas vendas de sorvetes e picolés.

Uma cooperativa agrícola francesa afirmou que os agricultores estavam implementando turnos noturnos para a colheita, a fim de proteger os trabalhadores do calor da tarde e os campos do risco de incêndio.

Na Itália, as condições climáticas devem piorar ainda mais, especialmente nas regiões central e norte, com a onda de calor provavelmente atingindo o pico entre hoje, domingo, 28 de junho e amanhã, segunda-feira, 29, segundo os meteorologistas.

As temperaturas podem chegar a 41°C entre a Toscana e a Emília-Romanha, enquanto em áreas costeiras como a Ligúria, a combinação de calor e umidade extrema pode elevar a sensação térmica a até 45°C.

Ainda assim, turistas aguardavam pacientemente sob o sol escaldante para visitar os museus do Vaticano na quarta-feira, 24.

Alguns carregavam guarda-chuvas ou leques, enquanto outros simplesmente cobriam a cabeça com camisetas.

Muitos se reuniam para reabastecer seus copos de água em fontes ou para tomar outros refrescos em cafés. “Queremos uma cerveja, uma cerveja para o calor”, afirmou o padre Israel, da República Dominicana, enquanto erguia um grande copo de cerveja lager na mão.

Fonte CNN

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