PF faz buscas contra Cláudio Castro em caso de aportes do Rioprevidência no Banco Master
São10 mandados no Rio de Janeiro e Distrito Federal

O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro é alvo de uma operação da Polícia Federal realizada na manhã desta terça-feira, 26. A ação investiga aportes feitos pelo estado do Rio de Janeiro, por meio do Rioprevidência, em fundos ligados ao Banco Master.
Os agentes federais saíram para cumprir 10 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e no Distrito Federal. Além de Castro, são alvo integrantes e ex-integrantes do Rioprevidência. As ordens foram expedidas pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF).
Agentes da Polícia Federal estiveram na cobertura do ex-governador na manhã de hoje. Na porta do condomínio Península, na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio, o advogado Carlo Luchione informou que dois celulares foram apreendidos no imóvel. O defensor acompanha as buscas e informou que ainda não teve acesso à decisão que autorizou a operação.
O ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, que está preso desde fevereiro, também foi um dos alvos da operação desta terça-feira. Agentes da PF compareceram a um endereço de Deivis em Botafogo, na Zona Sul do Rio, para apreender documentos.
A investigação é um desdobramento da Operação Barco de Papel, que identificou aportes considerados suspeitos feitos pelo Rioprevidência em letras financeiras do Master. As operações teriam movimentado cerca de R$ 970 milhões entre outubro de 2023 e julho de 2024, durante a gestão de Deivis, que foi nomeado para a presidência do Rioprevidência por Castro.
Nesta nova fase da investigação, os policiais apuram ainda aplicações de aproximadamente R$ 2,01 bilhões realizadas, a partir de julho de 2024, em fundos de investimento ligados à mesma instituição financeira. Somadas, as transferências do Rioprevidência teriam alcançado cerca de R$ 3 bilhões.
Os recursos teriam saído principalmente do Rioprevidência, responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de cerca de 235 mil beneficiários estaduais, além da Cedae, estatal de abastecimento de água do estado.
O Banco Master foi liquidado em novembro, após a prisão do seu fundador, Daniel Vorcaro, por suspeita de fraudes financeiras. A PF apura o pagamento de propina a agentes públicos para conseguir aumentar os aportes no Master, a criação de fundos fictícios para inflar o valor do banco, além da utilização de uma rede de fundos de investimentos para esconder a origem dos recursos.
As suspeitas de investigadores é que Vorcaro utilizava suas relações com políticos para obter vantagens. É neste contexto que a PF apura irregularidades nos aportes feitos pela Rioprevidência, à época comandado por Deivis Marcon Antunes, indicado ao cargo por caciques do União Brasil.

Como mostrou O GLOBO, o ex-presidente do Rioprevidência autorizou uma mudança na política de investimentos do órgão estadual que permitiu, desde 2023, aportes de R$ 970 milhões em papéis do Banco Master. Ele foi preso em fevereiro, durante operação da PF que apura essas transações, por suspeita de ocultação de patrimônio e de tentar obstruir as investigações. A defesa nega irregularidades e busca convencer o Superior Tribunal de Justiça (STJ) a soltá-lo.
No mês passado, o Ministério Público do Rio (MP-RJ) entrou com ação civil pública na Justiça estadual para obrigar dirigentes do Rioprevidência a cobrirem um rombo de R$ 1 bilhão originado por aportes em papéis do Banco Master.
Segundo o MP, os dirigentes devem assumir “responsabilidade pessoal” pelo rombo financeiro, conforme um parecer do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) em maio do ano passado. Os promotores pediram ainda à Justiça do Rio que rejeite uma alternativa apresentada pelo governo estadual, de usar valores de empréstimos consignados de servidores estaduais junto ao Banco Master para compensar o buraco no Rioprevidência.
Em dezembro, a Justiça do Rio havia autorizado o governo estadual a reter esses pagamentos feitos por servidores ao Banco Master, que se referiam ao programa de crédito consignado Credcesta. O MP, porém, argumenta que a própria existência do Credcesta é uma “estrutura contratual inválida”, e propôs uma restituição de valores aos servidores.
Fraudes no setor de combustíveis
O ex-governador foi alvo de uma operação da Polícia Federal também neste mês para apurar suspeitas fraude no setor de combustíveis. Além de Castro, a ação também mirava o empresário Ricardo Magro, que comanda o grupo Refit, dono da Refinaria de Manguinhos. Segundo a corporação, a Operação Sem Refino apurava a atuação de conglomerado econômico do ramo de combustíveis por suspeita de ocultação patrimonial, dissimulação de bens e evasão de recursos ao exterior.
As investigações apuravam possíveis inconsistências relacionadas à operação de refinaria vinculada ao grupo. A Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros e a suspensão das atividades econômicas das empresas investigadas.
Fonte EXTRA


