Brasil x Croácia: vitória não traz forra sobre carrascos
Mas encaminha seleção para a Copa

Partida foi marcada por muitos destaques individuais e avanços coletivos. Definitivamente o 3 a 1 sobre a Croácia não foi uma forra pela eliminação na Copa de 2022. Afinal, era apenas um amistoso. Mas que serviu para deixar o torcedor animado em relação ao futuro da seleção. E mais ainda o técnico Carlo Ancelotti, que colheu bons frutos deste último jogo antes da convocação final, prevista para 18 de maio.
Muitos souberam aproveitar a oportunidade para mostrar seu valor diante do treinador. E as dúvidas que havia em torno das vagas em aberto agora parecem menores do que antes do jogo.
Um dos que melhor aproveitaram este período foi Danilo, agora Santos. O meio-campista repetiu a primeira boa impressão deixada nos minutos que teve contra a França. Formou boa dupla com Casemiro, reforçando a defesa e qualificando a saída de bola. Sua movimentação foi um grande diferencial: apareceu na área diversas vezes, sendo mais uma opção de tabela ou de finalização. Foi quem abriu o placar, aos 47 do primeiro tempo, acertando belo chute após receber de Vini Jr. (que deixou três para trás em ótima jogada iniciada numa bola longa precisa de Matheus Cunha).
Outro titular que justificou a esperança depositada foi Ibáñez. Improvisado como lateral pela direita, ele protegeu bem seu corredor e até arriscou subir em alguns momentos. Ganhou pontos para se juntar a Marquinhos, Gabriel Magalhães e Éder Militão entre os zagueiros do Mundial.

Assim como Léo Pereira. O zagueiro do Flamengo foi muito bem tanto nas disputas aéreas quanto no chão. E ainda colaborou com a saída de bola, iniciando jogadas.
Mas, quando o assunto é aproveitar a brecha de oportunidade, ninguém parece ter sido mais eficiente do que Endrick. Não teve chance contra a França e entrou já aos 30 do segundo tempo diante dos croatas. Foi o suficiente. Num momento em que o Brasil já estava desfigurado pelas substituições e sem nenhum padrão tático, o atacante chamou a responsabilidade para si e desequilibrou. Sofreu o pênalti (convertido por Igor Thiago, aos 42) e deu o passe para Martinelli fechar o placar, aos 46.
Na entrevista dada na véspera, Ancelotti havia falado de Endrick como se contasse com ele para 2030. Mas o atacante praticamente gritou na cara do italiano que seu momento é agora.
Igor Thiago também tem motivos para ficar mais confiante. Entrou num momento em que o Brasil passou a jogar nos contra-ataques e se destacou com um gol de pênalti e a participação em alguns lances, como a jogada do terceiro gol. E é justamente isso que Ancelotti buscava: um centroavante para ser essa referência na frente caso a seleção precise passar por momentos como aquele.
Mesmo quem já tinha vaga na Copa saiu ganhando. Luiz Henrique mostrou que pode ser mais do que uma opção para mudar o cenário do jogo. Não é exagero dizer que vira uma sombra à especulada titularidade de Estêvão pela direita.
E nem só de individualidades é feita a colheita de Ancelotti. Até ser completamente modificado, o time foi dedicado na defesa e sofreu pouco. Na frente, a presença de João Pedro permitiu que Matheus Cunha recuasse mais, o que também se mostrou um acerto (ainda que o atacante do Chelsea tenha deixado a sensação de que poderia fazer mais).

Os únicos destaques negativos foram Bento e Douglas Santos. O primeiro não passou segurança. Já o segundo, apesar de ter aparecido com frequência na frente (o que foi bom para Vini) se mostrou muito limitado.
Nada, porém, que prejudique o saldo positivo da partida. Se a derrota para a França gerou uma falsa sensação de terra arrasada em parte da torcida, a vitória desta terça serviu para mostrar acalmar este desespero. O Brasil não está no mesmo estágio de trabalho de favoritos como Mbappé & cia. Mas pode sonhar com um futuro melhor.
Fonte O Globo


