Senado do Paraguai aprova por unanimidade impeachment de Santiago Peña

Presidente anunciou renúncia em meio à crise

 Foto: Cesar Olmedo / Reuters

Presidente anunciou renúncia em meio à crise provocada pela quebra do banco digital Ueno, mas processo de impeachment foi mantido; vice-presidente Pedro Alliana deve assumir o cargo. Parlamentares paraguaios participam de uma sessão extraordinária sobre o processo de impeachment do presidente do Paraguai, Santiago Peña, que renunciou ao cargo em meio a acusações de envolvimento na quebra do banco digital Ueno.

O Senado do Paraguai aprovou, nesta sexta-feira, 6 de novembro, o impeachment do presidente Santiago Peña, em meio ao escândalo envolvendo o fechamento do banco Ueno.

A destituição do presidente foi aprovada pelos 44 senadores presentes na sessão. A Casa é composta por 45 cadeiras, mas um dos parlamentares não compareceu.

A crise política no Paraguai começou após a quebra do banco digital Ueno. A instituição deixou milhões de clientes sem acesso às próprias contas. O caso provocou protestos em Assunção e aumentou a pressão sobre o governo de Peña.

O Banco Central paraguaio interveio no banco após identificar problemas em operações de crédito e irregularidades na contabilização de ativos. O órgão regulador também apontou que a instituição não tinha capital suficiente para continuar funcionando.

Peña passou a ser alvo de acusações por causa de seus vínculos empresariais com o grupo controlador do Ueno. O presidente manteve participação na holding ligada ao banco até março de 2025.

Santiago Peña, presidente do Paraguai desde 2023 que renunciou ao cargo em 5 de novembro de 2026. — Foto: REUTERS/Cesar Olmedo/File Photo

Na quinta-feira, 5, o presidente anunciou que renunciaria ao cargo. Ele afirmou que queria preservar a estabilidade do país e as instituições democráticas. A decisão, porém, não encerrou o processo de impeachment.

Os parlamentares decidiram manter o julgamento. A saída voluntária de Peña poderia garantir a ele uma cadeira vitalícia no Senado e imunidade parlamentar.

O Ministério Público também abriu investigações criminais sobre o caso. As apurações envolvem Peña, o vice-presidente Pedro Alliana e autoridades do Banco Central.

Com a saída oficial de Peña, Alliana deverá assumir a Presidência e completar o mandato, previsto para terminar em agosto de 2028. A posse, no entanto, ainda precisa ser marcada.

Do lado de fora do palácio do Congresso paraguaio, na Plaza de Armas, em Assunção, um multidão de manifestantes comemorava a decisão.

Fonte g1

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