Derrota de Flávio Bolsonaro para Lula altera jogo político na Alerj

Primeira sessão na Alerj após as eleições de domingo foi concorrida: meses antes do início da nova legislatura, já estão em discussão nomes para ocupar postos-chave na estrutura da Casa — Foto: Marcelo Theobald

André Ceciliano, eleito deputado, estaria disposto a disputar presidência se houver consenso em torno de sua candidatura. A derrota no segundo turno do senador Flávio Bolsonaro (PL) para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também alterou o jogo político da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Ligado à família Bolsonaro, o deputado Anderson Moraes (PL), que despontava como favorito ao cargo de presidente da Casa, perde força na disputa. Sem ele, seguem no páreo o atual vice-presidente Guilherme Delaroli (PL) e o deputado estadual eleito André Ceciliano (PT).

Nesta segunda-feira, 26, o governador eleito Douglas Ruas, que está no comando do Legislativo, disse que fará uma reunião com os deputados para discutir a sucessão, mas que a data ainda não foi marcada.

Delaroli e Ceciliano já presidiram a Casa, por coincidência em momentos de crise. O primeiro ocupou o cargo entre dezembro de 2025 e abril deste ano, substituindo Rodrigo Bacellar (sem partido), preso pela Polícia Federal em uma das fases da Operação Unha e Carne. O ex-presidente foi acusado de vazar informações sobre uma ação policial para prender o então deputado TH Joias, suspeito de ligação com o Comando Vermelho (CV).

Ceciliano assumiu o comando da Alerj em 2019 depois da prisão do então presidente Jorge Picciani (MDB) na operação Cadeia Velha, da Polícia Federal, que investigou um esquema de distribuição de propinas para deputados estaduais em troca de decisões favoráveis a empresários do setor de transporte público desde os anos 1990.

Ninguém abre o jogo

Delaroli evita falar sobre uma eventual candidatura, embora aliados confirmem que, nos bastidores, ele já tenha iniciado articulações nesse sentido. O parlamentar afirmou nesta segunda-feira estar pronto para desempenhar a função que Ruas determinar:

— Sou governo. Vou fazer o que for melhor para o Rio.

Reprodução

Ceciliano, que tem bom trânsito com todos os partidos, preferiu não falar sobre as especulações. Mas, nos corredores da Alerj, comenta-se que ele só sairá candidato se houver consenso entre as legendas de esquerda e de parte da centro-direita — inclusive de integrantes do PL e do PSD. O deputado Luiz Paulo (PSD), por sua vez, diz que o martelo ainda não foi batido sobre quem apoiar. Segundo ele, o partido se reúne em 11 de novembro para discutir a próxima legislatura.

A eleição para a presidência da República também deve refletir na Câmara do Rio. Há quatro anos no cargo, o atual presidente, Carlo Caiado (PSD), que em tese não poderia disputar outra reeleição, pode entrar novamente nessa competição em dezembro, enquanto o PL corre por fora, tendo o PP como aliado.

A tese dos que apoiam Caiado é que, como Eduardo Paes renunciou à prefeitura para se candidatar ao governo do estado, a gestão de Eduardo Cavaliere deve ser entendida como uma nova administração, abrindo assim outra oportunidade para que ele comande o Legislativo. O nome mais cotado até agora para disputar com Caiado é o de Jorge Felippe (PP), que deve voltar à Câmara porque é suplente do vereador Leniel Borel (PP), eleito deputado federal. Há negociações para que Borel renuncie antes de assumir o novo cargo em Brasília em 1º de fevereiro.

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