Ana Lima escreve sobre Coisas de Vó
Numa homenagem as suas avós, Gracinda Cordeiro cândido e Maria de Cássia Barcellos Lima, ela fará você, com certeza, relembrar suas vovós.

Casa de vó é uma delícia, porque vó faz as vontades dos netos, prepara guloseimas e transforma tudo em carinho.
Na casa de vó, a gente se sente livre, amado e protegido.
Vó tem cheirinho de café com leite,
tem colo quentinho que embala o soninho, tem histórias contadas de um jeito especial, que aquecem o coração.
Vó é acalento quando a gente cai, é cafuné quando precisamos de carinho, é abraço que cura até os dias mais difíceis.
Na casa de vó, até as coisas mais simples ganham um sabor diferente.
O café servido na xícara parece mais gostoso, o bolo parece mais fofinho,a comida tem um tempero que não se explica, e um simples “come mais um pouquinho” parece a maior declaração de amor.
Vó conhece nossos jeitos, nossas manias e até nossos silêncios.
Muitas vezes, antes mesmo de perguntarmos, ela já sabe quando estamos tristes, cansados ou precisando de um abraço.
E como é bom ouvir aquela voz dizendo:
“Já comeu?”
“Está levando um agasalho?”
“Cuide-se, meu neto”
São palavras simples, mas que carregam um amor imenso.
Imagine como seria o mundo sem vó… Seria um mundo mais triste, sem o aconchego do seu colo, sem sua doçura e sem esse amor tão puro que só uma vó sabe oferecer.
E mesmo quando o tempo passa, as lembranças de vó permanecem vivas dentro da gente.
Elas moram no sabor de uma receita feita com amor, no cheiro de bolo saindo do forno, na oração baixinha antes de dormir, na toalha cuidadosamente dobrada, na mesa preparada com carinho e naquele abraço apertado que parecia proteger o mundo inteiro.
Moram também nas pequenas frases que ouvimos tantas vezes e que, um dia, percebemos o quanto eram preciosas.
Porque vó deixa marcas que o tempo não consegue apagar.
Ela ensina que carinho também está nas pequenas coisas: num prato de comida, num beijo na testa, numa bênção antes de sair, numa preocupação, num sorriso e até naquele olhar que dizia tudo sem precisar de palavras.

Vó é raiz, é cuidado, é ternura.
É quem ensina sem perceber, quem ama sem medida e quem transforma pequenos momentos em eternas lembranças.
É aquela presença que faz a infância parecer mais bonita e a vida, mesmo depois de adulta, ter sempre um lugar para onde voltar.
Na pressa da vida, o colo de vó sempre será abrigo, um pedacinho de paz onde o coração descansa.
E talvez seja por isso que, quando pensamos em vó, não pensamos apenas em uma pessoa. Pensamos em uma casa, em uma mesa, em um cheiro, em uma voz, em um abraço e em uma infinidade de lembranças que carregaremos para sempre.
Porque algumas pessoas passam pela nossa vida, mas vó permanece.
Permanece nas histórias que contamos, nas receitas que aprendemos, nos costumes que herdamos, nas palavras que repetimos e, principalmente, no amor que aprendemos a oferecer aos outros.
Porque amor de vó não envelhece, não diminui e nunca deixa de existir.
Amor de vó é daqueles presentes que a vida coloca em nosso coração e que, uma vez recebidos, ficam para sempre.
Por Ana Lima



