Anvisa aprova genéricos de medicamentos contra diabetes e obesidade

Liraglutida é o princípio ativo de canetas

 Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou os registros de dois medicamentos genéricos à base de liraglutida. A substância é usada em canetas para tratar obesidade e diabetes tipo 2. Ambos terão concentração de 6 mg/mL.

As autorizações foram concedidas à farmacêutica brasileira EMS e publicadas nesta terça-feira, 8 de setembro, no Diário Oficial da União. A empresa já comercializa duas canetas com os medicamentos: Olire, voltado para o controle de peso em adultos e adolescentes; e o Lirux, focado no gerenciamento da glicemia. Ambos auxiliam na redução do apetite e no equilíbrio do açúcar no sangue.

O que muda é a aprovação dos produtos genéricos, que podem ser vendidos agora pelo nome do princípio ativo, sem a obrigatoriedade de estarem vinculados a uma marca comercial específica.

A autorização abre espaço para novas opções em um mercado que ganhou concorrentes nos últimos anos, impulsionado pela procura por medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1. A aprovação, porém, não significa que as novas versões estarão imediatamente disponíveis nas farmácias. A EMS ainda precisa definir o lançamento e os preços de comercialização.

Genérico para obesidade e outro para diabetes

Embora tenham o mesmo princípio ativo e a mesma concentração, os dois registros não correspondem ao mesmo tratamento.

Um deles está ligado ao processo do Olire, medicamento da EMS registrado para o tratamento da obesidade. O outro tem como matriz o Lirux, indicado para pessoas com diabetes tipo 2. Documentos anteriores da própria Anvisa identificam esses dois processos como os registros originais dos medicamentos da farmacêutica.

Isso acontece porque a mesma molécula pode ser usada em tratamentos diferentes, com esquemas de dose e indicações específicas aprovadas pela agência.

A liraglutida já está há anos no mercado brasileiro. Ela também é o princípio ativo do Saxenda, indicado para controle de peso, e do Victoza, usado no tratamento do diabetes tipo 2, ambos da Novo Nordisk.

Os novos registros incluem diferentes tamanhos de embalagem. Há apresentações com um, dois, três, cinco e até dez carpules de 3 mL, dependendo do produto. O carpule é o pequeno reservatório que contém o medicamento e é encaixado na caneta aplicadora.

Novo registro está vinculado a Olire, medicamento que a própria EMS já comercializa. — Foto
Divulgação/EMS

Valor ainda não é conhecido

A chegada de genéricos tende a aumentar a competição entre fabricantes, mas o registro publicado pela Anvisa não informa quanto as novas canetas vão custar.

No Brasil, os preços máximos dos medicamentos são regulados pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). A regra atual estabelece que o Preço Fábrica de um medicamento genérico enquadrado nessa categoria não pode ultrapassar 65% do valor autorizado para o medicamento de referência.

Isso não significa, porém, que o consumidor encontrará necessariamente uma diferença de 35% na farmácia. O preço final pode variar de acordo com impostos, descontos dos laboratórios e políticas comerciais das redes.

Hoje, a CMED define um teto para o preço que pode ser cobrado no varejo, mas farmácias podem vender abaixo desse limite.

A EMS já havia ampliado a competição nesse segmento ao lançar Olire e Lirux em 2025. Na época, a empresa anunciou preços sugeridos a partir de R$ 307,26 por caneta.

Como a liraglutida age no organismo

A liraglutida pertence ao grupo dos agonistas do receptor de GLP-1, mesma classe de medicamentos que inclui a semaglutida, presente em Ozempic e Wegovy. As moléculas, porém, são diferentes.

O GLP-1 é um hormônio produzido pelo intestino depois da alimentação e participa do controle da glicose e do apetite. Medicamentos como a liraglutida imitam parte dessa ação.

No tratamento do diabetes, a substância ajuda o organismo a liberar insulina quando a glicose está elevada e contribui para o controle do açúcar no sangue.

Reprodução Google

Ela também atua em regiões do cérebro relacionadas à fome e à saciedade e retarda o esvaziamento do estômago. Essa combinação reduz a ingestão de alimentos e ajuda no controle do peso.

Uma diferença em relação a algumas das canetas mais recentes é a frequência de aplicação. A liraglutida é administrada diariamente, enquanto medicamentos à base de semaglutida e tirzepatida têm apresentações de uso semanal.

Venda exige receita retida na farmácia

Apesar de serem frequentemente chamadas de “canetas emagrecedoras”, as diferentes moléculas dessa classe não têm as mesmas indicações, doses ou resultados e não devem ser usadas como se fossem equivalentes entre si.

Desde 2025, medicamentos agonistas de GLP-1 só podem ser vendidos no Brasil mediante apresentação de receita médica, que fica retida na farmácia. A mudança foi adotada pela Anvisa diante do aumento do uso desses produtos sem acompanhamento adequado.

Em fevereiro deste ano, a agência voltou a alertar para riscos relacionados ao uso indevido da classe, entre eles a pancreatite aguda, uma inflamação do pâncreas que já aparece entre as possíveis reações adversas descritas nas bulas.

Com os novos registros, a liraglutida passa a ganhar mais uma frente de concorrência no país. O impacto para quem usa esses medicamentos, porém, dependerá agora de duas informações que ainda não aparecem na decisão da Anvisa: quando os genéricos chegarão às farmácias e por quanto serão vendidos.

Fonte g1

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *