Após a bossa nova estrear há 61 anos, Alaíde Costa canta em New York
Fui excluída devido ao racismo.

A dois meses de completar 88 anos, Alaíde Costa fez uma participação especial no show “Bossa Nova: A Grande Noite”, no Carnegie Hall, em Nova York. Em um encontro marcante no último domingo, 8 de outubro, ela estava ao lado de Seu Jorge, Daniel Jobim, Roberto Menescal, Carlinhos Brown, Celeste e Carol Biazin.
Eles levaram grandes clássicos da bossa nova para encantar o público, como “Chega de Saudade” e “Samba de Uma Nota Só”. Uma das precursoras do movimento, Alaíde cantou “Sabe Você” e “Demais”.
O evento poderia ter sido um como tantos outros dos quais a cantora foi atração, se não fosse um fato histórico.

Em 1962, naquela mesma sala de espetáculos, a bossa nova foi apresentada internacionalmente e ganhou o mundo. Quem deu vida ao movimento, revolucionou o samba e compôs os arranjos sofisticados ficou conhecido, mas não todos.
João Gilberto, Tom Jobim e Vinicius de Moraes —este último não foi ao show— são os nomes proeminentes e lembrados até hoje. Mas Alaíde, que esteve nas reuniões da bossa nova quando o gênero musical ainda nem tinha esse nome, não foi convidada à época.
“Eu só soube quando o pessoal já estava lá e ia se apresentar”, ela recorda. Nara Leão, outra figura da bossa nova, também não estava lá, mas é preciso olhar as camadas de interseccionalidade ( interação entre dois ou mais fatores sociais que definem uma pessoa. Questões de identidade como gênero, etnia, raça, localização geográfica ou mesmo idade não afetam uma pessoa separadamente ) : Alaíde é uma mulher negra.
Eu era muito ingênua e não me passava essa coisa do racismo. Hoje eu tenho certeza que foi por isso.

Foi por quebrar barreiras e fazer o que para muitos era difícil que ela se destacou, dando voz às composições de artistas pouco conhecidos. Até hoje é assim, o jeito Alaíde de ser, que envolve de sentimento cada palavra de uma canção.



