Super El Niño pode provocar maior colapso climático desde o século XIX
Regiões brasileiras serão afetadas

Especialistas e modelos climáticos internacionais passaram a tratar com preocupação a possibilidade da formação de um Super El Niño entre o fim de 2026 e o início de 2027. As projeções mais recentes indicam uma chance extremamente elevada do fenômeno ganhar força nos próximos meses.
O Super El Niño acontece quando as águas do Oceano Pacífico Equatorial registram um aquecimento muito acima do normal. Esse desequilíbrio altera o clima em várias partes do planeta e costuma provocar eventos extremos ao mesmo tempo em diferentes regiões do mundo.
Pesquisadores alertam que um evento semelhante, ocorrido no século XIX, esteve ligado a secas severas, perdas agrícolas e crises alimentares em diversos países. Desta vez, o cenário preocupa ainda mais devido ao aquecimento global e à dependência mundial das cadeias de produção e abastecimento.
No Brasil, os impactos podem atingir regiões de formas diferentes. Meteorologistas apontam risco de enchentes e temporais intensos no Sul do país, enquanto parte do Nordeste pode enfrentar seca prolongada, calor extremo e redução nos reservatórios de água.

Outro ponto que preocupa especialistas é o possível aumento no preço dos alimentos. Fenômenos climáticos extremos podem afetar safras, provocar perdas no campo e gerar reflexos diretos no abastecimento e na economia.
A expectativa é que governos e órgãos públicos iniciem medidas preventivas desde agora, reforçando monitoramento climático, infraestrutura urbana e planos de resposta para possíveis desastres naturais nos próximos meses.
Como o Super El Niño afeta cada região do Brasil

Os impactos do Super El Niño não são uniformes pelo território, conforme os modelos do Cemaden já indicam. No Norte e no Nordeste, o risco principal é de estiagem prolongada e estresse hídrico, cenário que castiga pastagens e compromete lavouras que dependem de chuva regular.
São regiões onde a produção agrícola já opera com margens apertadas de água, e qualquer redução adicional nas precipitações pode representar quebra severa de safra.
No Centro-Oeste, a preocupação recai sobre a irregularidade das chuvas. O plantio da soja e o rendimento do milho safrinha ficam ameaçados quando as precipitações não seguem o padrão esperado pelo calendário agrícola.
No Sul, o problema é o oposto: o excesso de chuva tende a atrasar a retirada dos grãos do campo e comprometer o padrão de qualidade do que já estava pronto para ser colhido. Já no Sudeste, o cenário se apresenta como o mais instável, com alternância entre calor extremo e chuvas mal distribuídas que afetam culturas de alto valor como café, cana-de-açúcar e cereais.
O que o produtor pode fazer agora para proteger as lavouras?
Diante da probabilidade superior a 80% apontada pelo Cemaden, o planejamento antecipado se torna a principal ferramenta de defesa.
Rodrigues é categórico ao afirmar que, em eventos como o Super El Niño, agir cedo é o que separa perdas controláveis de prejuízos devastadores. Quem espera o fenômeno se instalar para tomar decisões acaba reagindo sob pressão e com menos opções disponíveis.
Entre as medidas recomendadas está a revisão do calendário de plantio, antecipando ou adiando a semeadura para desviar dos períodos mais críticos.
A seleção de cultivares tolerantes à seca ou ao encharcamento, conforme a região, também aparece como estratégia essencial para proteger as lavouras. No manejo do solo, o aumento do teor de matéria orgânica melhora a capacidade de retenção de água, benefício importante tanto em cenários de estiagem quanto de chuvas em excesso.
Fonte CPG



