Morre Oscar Schmidt, um dos maiores jogadores de basquete do mundo

Ele se sentiu mal e não resistiu

Oscar Schmidt na Olimpíadas de Atlanta, em 1996 — Foto: Divulgação/COB

Mão Santa, estava com 68 anos, teve mal-estar e foi internado no Hospital e Maternidade Municipal Santa Ana, mas não resistiu e faleceu nesta sexta-feira, 17 de abril.

A lenda do basquete, Oscar Schmidt, morreu nesta sexta-feira, aos 68 anos. O Mão Santa, como era conhecido, teve mal-estar e foi internado no Hospital e Maternidade Municipal Santa Ana, em São Paulo, mas faleceu nesta tarde. O ex-jogador lutava contra um câncer no cérebro desde 2011.

Oscar Schmidt é o recordista brasileiro em participações olímpicas, com cinco edições seguidas, e se tornou o único atleta a ultrapassar a marca de 1.000 pontos na história da competição.

Início no esporte

Oscar Daniel Bezerra Schmidt começou a sua trajetória profissional em 1974, pelo Palmeiras. Em quase 30 anos de carreira, encerrada em 26 de maio de 2003 no Flamengo, o ala de 2,05m de altura deteve o recorde mundial de cestas, com 49.737 pontos conquistados em equipes que incluem Sírio, Mackenzie, além de Juvecaserta e Pavia, na Itália, e Forum Valladolid, da Espanha. Em 2024, o ex-atleta foi superado por LeBron James, que alcançou 49.760 pontos em jogos oficiais.

Oscar nasceu em 16 de fevereiro de 1958, em Natal, Rio Grande do Norte, filho de militar alemão, que em 1970 foi transferido com a família para o Distrito Federal. Ele é irmão do apresentador Tadeu Schmidt.

O ex-jogador estreou na quadra do Unidade Brasília, seguindo para São Paulo, onde, em 1974, com apenas 16 anos, conquistou pelo Palmeiras o campeonato paulista e a Taça Brasil (1977). Contratado pelo Sírio, sua equipe levou os Campeonatos Paulistas de 1978 e 1979, a Taça Brasil de 1979, o Campeonato Sul-Americano e o Mundial.

Reprodução Google

Atuando pela seleção, Oscar conquistou os Pré-Olímpicos de 1984 e 1988, além dos bronzes no Mundial de 1978 e no Pan-Americano de 1979. A conquista da medalha de ouro no Pan-Americano de 1987, em 23 de agosto de 1987, em Indianápolis, no Market Square Arena, foi sua consagração. O Brasil de Gérson, Israel, Oscar, Marcel e Guerrinha venceu os Estados Unidos por 120 a 115, em um jogo histórico. Foi a primeira vez que os EUA perderam uma partida oficial em casa e em que sofreram mais de cem pontos. Além disso, os americanos estavam invictos em mais de 60 jogos.

Em agosto de 2010, Oscar entrou para o Hall da Fama da Fiba e em setembro de 2013 para o Hall da Fama de Basquete dos EUA, em reconhecimento à sua atuação em competições internacionais. Em 17 de fevereiro de 2017, o atleta finalmente jogou pela NBA, quando foi convidado a participar do Jogo das Celebridades do All-Star Game, em Nova Orleans. Também foi homenageado pelo Brooklyn Nets, que o havia selecionado em 1984, mas no qual não chegou a atuar, recebendo uma camisa personalizada dos Nets, antes do jogo contra o Memphis Grizzlies.

Luta contra o câncer

Reprodução Google

Em 2010, o atleta foi diagnosticado com um tumor benigno de sete centímetros no cérebro, retirado após oito horas de cirurgia. Três anos depois, uma ressonância magnética detectou novo tumor, desta vez maligno, que foi removido cirurgicamente, além de ter sido submetido a tratamento espiritual e recebido uma bênção do Papa Francisco 25 de julho de 2013, durante a Jornada Mundial da Juventude, no Rio.

Um recorde de 49 mil pontos: relembre como Oscar Schmidt alcançou número impressionante

Oscar Schmidt em uma partida do Brasil contra Estados Unidos, nos Jogos Olímpicos de 1992, em Barcelona — Foto: Aníbal Philot / Agência O Globo

Brasileiro foi, durante 30 anos, o maior pontuador da história do basquete mundial; realizado em 1994, feito só foi ultrapassado em 2024, por LeBron James.

Morto nesta sexta-feira, aos 68 anos, Oscar Schmidt marcou seu nome no cenário do basquete nacional e internacional. Principal jogador da história do Brasil na modalidade, o “Mão Santa” — apelido dado pela habilidade nos arremessos de longa distância e, claro, pela precisão — foi, durante 30 anos, o maior pontuador de todos os tempos no basquete mundial. O trono foi conquistado em 1994, quando o ex-ala de 2,05m de altura atuava pelo Fórum Filatelic de Valladolid, na Espanha, chegou a marca de 46.725 pontos, e ultrapassou o lendário Kareem Abdul-Jabbar.

Oficialmente, Oscar anotou 49.737 pontos em 1.615 partidas na carreira (média de 30,7 pontos por jogo) nos dez clubes (Palmeiras, Sírio, América do Rio, Juvecaserta-ITA, Pavia-ITA, Forum Valladolid-ESP, Corinthians, Bandeirantes, Mackenzie e Flamengo) em que atuou durante os 28 anos de carreira. O recorde só foi ultrapassado em 2024, por LeBron James, considerado por muitos o maior jogador da história do basquete mundial.

Respeito internacional

Embora nunca tenha atuado na National Basketball Association (NBA), principal liga de basquete dos Estados Unidos, país criador da modalidade, Oscar é dono de um respeito internacional. São várias as lendas da NBA que deram demonstrações da grandeza do “Mão Santa”.

— Tive grandes momentos no Brasil, joguei basquete com Oscar Schmidt… Acho que ele foi o maior jogador do Brasil na história. Nós jogamos cinco jogos, e ele (Oscar) era imparável. O chute dele… Só queria dizer isso aos fãs do Brasil — afirmou Magic Johnson em 2020, durante evento no Brasil.

Em 2013, Oscar Schmidt foi eleito para o Hall da Fama do Basquete Mundial, que fica nos Estados Unidos. Já em 2017, o brasileiro foi homenageado pelo Brooklyn Nets, de Nova Iorque, com um quadro personalizado com seu nome e o número 14, considerado o da sorte do ex-ala.

A homenagem se deu pois, em 1984, o então New Jersey Nets draftou Oscar Schmidt para atuar pela equipe. No entanto, como na época havia uma regra que não permitia que atletas da NBA jogassem pelas suas respectivas seleções, “Mão Santa” optou pela seleção brasileira e abandonou o sonho de atuar nos Estados Unidos. A norma só foi extinta em 1989.

Entre os vários feitos de Oscar pela seleção brasileira, o principal é a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de 1987, quando o Brasil venceu os Estados Unidos na final em Indianápolis.

Além de ser, atualmente, o segundo maior pontuador da história do basquete mundial, Oscar Smichdt também detém outros feitos marcantes na carreira, como o de ser o principal cestinha da história dos Jogos Olímpicos: 1.093 pontos. Tais números só foram possíveis graças aos seus prêmios de primeiro entre os marcadores de Seul 1988, Barcelona 1992 e Atlanta 1996. Ele também é o maior cestinha de uma só partidas em uma Olimpíada: 55 pontos contra a Espanha, em Seul.

Fonte EXTRA

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *