Há 53 anos estreava “O Bem Amado”, primeira novela brasileira em cores
Estreia foi no dia 24 de janeiro de 1973

Escrita pelo brilhante Dias Gomes e dirigida por Régis Cardoso, a trama se passava na fictícia Sucupira, na Bahia, onde a sátira política e o realismo fantástico se misturavam. O protagonista, Odorico Paraguaçu, era um político demagogo e corrupto, cujo maior objetivo de vida (e plataforma eleitoral) era a inauguração do luxuoso cemitério municipal.
O grande conflito cômico residia no fato de que, ironicamente, ninguém morria em Sucupira desde a abertura do campo santo.
Desesperado para justificar a obra e silenciar a oposição, Odorico articulava planos cada vez mais absurdos e macabros. Ele chegava ao ponto de tentar interceptar carregamentos de vacinas para provocar uma epidemia na cidade, além de convidar o temido matador Zeca Diabo para retornar a Sucupira, na esperança de que o cangaceiro “providenciasse” um defunto.

A narrativa atingia o ápice do absurdo quando o prefeito tentava até importar um corpo de outra cidade para garantir o cortejo inaugural.
O Bem-Amado foi a obra que abriu as portas do mundo para a ficção brasileira, tornando-se a primeira novela exportada para dezenas de países, provando que o humor regional de Dias Gomes possuía uma linguagem universal capaz de ridicularizar o autoritarismo em qualquer idioma.
A genialidade de Dias Gomes, não brotou apenas da imaginação, ela foi profundamente alimentada pela realidade surreal da política do interior do Brasil. A principal inspiração para a saga de Odorico Paraguaçu veio de um caso verídico ocorrido na cidade de Guaratinguetá, no interior de São Paulo, durante a década de 1960. Na época, o prefeito local construiu um novo cemitério municipal com pompas e circunstâncias, mas enfrentou o mesmo dilema do personagem fictício: a “teimosia” da população em continuar viva.

A situação chegou a tal ponto de absurdo que, diante da falta de “clientes” para a inauguração, o prefeito de Guaratinguetá teria cogitado, de forma anedótica ou em desabafo político, que o primeiro falecido ganhasse um enterro de luxo com todas as despesas pagas pela prefeitura, apenas para que a fita pudesse finalmente ser cortada



