Com show de drones, convidados especiais Shakira conquista o público em Copacabana

2 milhões de pessoas estiveram na praia

Show de Shakira na Praia de Copacabana — Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo

Uma loba uivando, o rosto de Shakira e a frase “Brasil, te amo” foram as imagens formadas por drones que aqueceram o público para o show da diva pop colombiana, realizado nesta noite em Copacabana. Apesar de mais de uma hora de atraso para subir ao palco, Shakira chegou com tudo, levantando o público com hits e falas em português, quase todas enaltecendo a força feminina; a cantora dedicou a apresentação às mulheres presentes. A performance atraiu uma multidão para a praia que, segundo a Riotur, chegou a 2 milhões de pessoas.

— Nós, as mulheres, cada vez que caímos, nos levantamos um pouco mais sábias, um pouco mais fortes, um pouco mais resilientes. Porque as mulheres já não choram e, por isso, esse show vai ser dedicado para todas nós — afirmou Shakira.

Filhos de Shakira cantam em telão no show em Copacabana — Foto: globo

Sucessos como “Hips Don’t Lie”, “Girl Like Me” e “Estoy Aquí” foram cantados pela artista e entoados em alto e bom som pelo público, que também acompanhou participações especiais ao longo da noite. Anitta, Caetano Veloso, Maria Bethânia e Ivete Sangalo dividiram o palco com a colombiana.

Anitta subiu ao palco para cantar “Choka Choka”, parceria lançada no último mês. Caetano Veloso interpretou “Leãozinho” ao lado da cantora, enquanto Maria Bethânia dividiu os vocais em “O que é, o que é”, de Gonzaguinha. Última participação da noite, Ivete Sangalo cantou “País Tropical”, de Jorge Ben Jor. A bateria da Unidos da Tijuca acompanhou os números.

Shakira no show em Copacabana — Foto: Pablo Porciuncula/AFP

— A pessoa que vou chamar agora ao palco é um dos primeiros artistas que descobri quando cheguei ao Brasil, quando tinha 18 anos. Eu me apaixonei pela sua música, pela sua voz, pela sua poesia. Para mim, sua elegância e sua sofisticação marcam a história da música brasileira — disse a colombiana sobre Caetano Veloso.

Homenagens às mães solos

“No Brasil existem mais de 20 milhões de mães solteiras, eu sou umas delas. Eu dedico esse show a todas elas”, falou na introdução de “Soltera”.

Quando chegou a vez de apresentar Anitta, Shakira a chamou de “rainha”. Essa foi a primeira vez que elas se cantaram juntas ao vivo “Choka Choka”.

Shakira e Anitta no Todo Mundo no Rio 2026 — Foto: TV Globo

Antes da loba, existiu a roqueira de cabelos pretos e, em um show desse porte, era impossível deixar os clássicos dos anos 90 de fora. Foi nesse momento que a cantora apostou na memória afetiva dos fãs, exibindo nos telões imagens do início de sua carreira.

Ela engatou “Pies Descalzos, Sueños Blancos” e “Antología”, em uma versão acústica. Ela até tentou pedir ajuda para o público cantar, mas o público demorou a responder, e o clima esfriou por alguns instantes.

Santo Amaro no palco

Ter participações especiais em megashows não é novidade. Mas a presença de Caetano Veloso e Maria Bethânia pegou o público de surpresa já nos ensaios.

Sonho de Shakira de cantar com Caetano Veloso se realiza diante de milhões quase 30 anos após entrevista. — Foto: Dilson Silva / Agnews

Ao lado de Bethânia e dos integrantes da bateria da Unidos da Tijuca, Shakira cantou “O Que É, O Que É?” (1982), um dos maiores sucessos de Gonzaguinha. Já o encontro com Caetano emocionou ao cantar “Leãozinho”, música que a colombiana entoa para o filho Milan dormir.

Shakira e Maria Bethânia se apresentam durante o show da pop estar colombiana na Praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, no dia 2 de maio de 2026 — Foto: Mauro Pimentel/AFP

Repetindo o Rock in Rio de 2011, Shakira voltou a dividir o palco com Ivete Sangalo cantando “Pais Tropical”. Claro que a baiana transformou a breve participação em uma mini micareta.

Shakira e Ivete Sangalo se abraçam durante o show da estrela pop colombiana na Praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, no dia 2 de maio de 2026 — Foto: Daniel Ramalho/AFP

Embora tenha ocupado o maior palco da história do evento, isso não significou apoio em grandes cenários. Muito pelo contrário: a grandiosidade foi sustentada por elementos simples e pela força da performance.

Superadas as baladas e a carga emocional, a reta final elevou novamente a temperatura com “Whenever, Wherever” e o hino da 2010 FIFA World Cup, “Waka Waka (This Time for Africa)”, com o influenciador do Complexo da Maré Raphael Vicente.

As areias de Copacabana se transformaram em uma floresta de lobas, uivando em coro enquanto os mandamentos da loba eram projetados nos telões e uma estrutura gigantesca de lobo invadia o palco. Até que a loba-mor surgiu para cantar “She Wolf” e “Bzrp Music Sessions, Vol. 53”.

Após mais de duas horas de show, ficou a certeza de que Shakira mantém um domínio de palco impressionante e uma voz que ainda carrega a força da jovem de 19 anos que conquistou o Brasil há quase três décadas.

Se Copacabana é, como a própria artista definiu, um altar da Terra, essa noite ela ocupou o centro dele, reverenciada por uma multidão de súditos da loba.

Show aquece o turismo no Rio

Segundo estudo da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico em parceria com a Riotur, o evento deve movimentar cerca de R$ 800 milhões na economia carioca, com impacto em setores como hotelaria, gastronomia, transporte e comércio.

Multidão ocupa a orla de Copacabana e transforma a noite em um mar de gente à espera de Shakira — Foto: Marcelo Theobald

De acordo com a Riotur, o projeto “Todo Mundo no Rio” tem impulsionado o turismo no mês de maio, historicamente considerado de baixa temporada na cidade. Dados do Observatório do Turismo Carioca mostram aumento no número de visitantes nos anos com shows em Copacabana. Em 2024, o crescimento no feriado do Dia do Trabalho foi de 34,2% em relação ao ano anterior. Em 2025, o aumento foi de 90,5% na comparação com 2023.

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