Vice do Flamengo para o Lanús tem erros de Filipe Luís e déjà vu preocupante

Rubro-negro perdeu de 3 X 2

Ayrton Lucas lamenta enquanto jogadores do Lanús comemoram (Crédito: Maga Jr/Agência F8/Gazeta Press)

Derrota na prorrogação, no Maracanã, expõe decisões questionáveis de Filipe Luís, falhas recorrentes e um início de 2026 que lembra o traumático 2023.

O vice do Flamengo para o Lanús escancara mais do que um simples resultado adverso. O 3 a 2 sofrido no Maracanã, depois de estar vencendo por 2 a 1 até o segundo tempo da prorrogação, expôs erros individuais, decisões questionáveis de Filipe Luís e, sobretudo, velhos vícios que insistem em sobreviver no elenco.

O título da Recopa Sul-Americana escapou num apagão que mistura falhas táticas, desorganização emocional e um déjà-vu incômodo para quem acompanha o clube nos últimos anos.

Filipe Luís tem crédito, mas falhou na condução da noite. A escolha por Ayrton Lucas, com Alex Sandro no banco, custou caro: o lateral errou de maneira bizarra no primeiro gol do Lanús e participou do lance que culminou na falha fatal de Rossi. O treinador também demorou a aumentar o poder de fogo, deixando Pedro, Everton Cebolinha e Luiz Araújo no banco mesmo com a necessidade clara de reverter o 1 a 0 sofrido na ida.

Quando tentou recalcular a rota, também pecou — e terminou o jogo com Cebolinha improvisado na lateral-direita, símbolo de um time bagunçado e sem estrutura nos minutos decisivos.

Flamengo já em crise antes da final

O segundo gol argentino, em cobrança de escanteio, evidenciou desatenção coletiva. O terceiro, em contra-ataque, escancarou o desespero. Entre um e outro, houve um Flamengo desorganizado, espaçado, emocionalmente vulnerável. Não se trata somente de uma troca de peças, mas de um problema de leitura de jogo e de gestão de cenário. A equipe perdeu o controle justamente quando precisava maturidade.

Há também problemas antigos que atravessam temporadas. Rossi voltou a demonstrar soberba com a bola nos pés — algo que já custou caro em 2025 — ao se complicar após recuo errado de Ayrton Lucas. A insistência em sair jogando sob pressão, sem objetividade, beira a teimosia. Soma-se a isso o velho “arame liso”: volume sem contundência, posse sem letalidade. O Flamengo cria, ronda, mas finaliza mal, perde gols e mantém adversários vivos.

Filipe Luís cabisbaixo após o Flamengo perder a Recopa para o Lanús. Foto: Icon Sport

O roteiro remete perigosamente ao início de 2023, quando o time empilhou frustrações e perdeu todos os títulos que disputou. Em 2026, o filme ameaça se repetir: já caiu na Supercopa Rei diante do Corinthians e agora vê a Recopa escapar em casa para o Lanús. O Campeonato Carioca surge no horizonte, possivelmente contra Fluminense ou Vasco, mas a sensação é de que o problema vai além da taça em disputa.

O Flamengo ainda tem elenco para reagir, mas precisa encarar seus fantasmas. Decisões mais firmes no banco, menos soberba em campo e mais contundência no ataque são urgentes.

Flamengo leva susto, mas busca virada

A configuração do jogo no Maracanã foi a já esperada antes da bola rolar. Atrás no agregado, o Flamengo controlou a posse de bola, ditou o ritmo das ações e tentou pressionar o Lanús. Até conseguia e empilhava boas chances, mas um erro crasso no campo de defesa colocou os argentinos na frente.

Aos 28 minutos, Rossi foi ao meio para ajudar na transição, recebeu um recuo fraco de Ayrton Lucas e escorregou. Atento, Castillo correu em direção à bola, efetuou o roubo e, com o gol vazio, bateu de longe para abrir o placar e calar a torcida rubro-negra.

Para alívio da arquibancada, a resposta do time de Filipe Luís foi rápida. Com 33′ no relógio, Varela lançou na área, Carrera se atirou na bola e acabou desviando com o braço. Pênalti. Arrascaeta cobrou forte no canto e deixou tudo igual.

No segundo tempo, a pressão flamenguista foi se intensificando a cada minuto. Acuado no seu próprio campo, o Lanús se defendia com 10 jogadores atrás da linha e rebatia toda investida dos donos da casa. Uma jogada de corpo de Arrascaeta, porém, destravou o ferrolho hermano — que foi obrigado a parar o uruguaio com falta dentro da área. Mais um pênalti. Jorginho cobrou no meio, colocou o Fla em vantagem e empatou a Recopa.

Reprodução Instagram

Apagão na prorrogação decide título para o Lanús

Quando tudo levava a crer que Flamengo e Lanús decidiriam o título nos pênaltis, uma pane geral na defesa rubro-negra colocou tudo a perder. Aos 12′ do segundo tempo da prorrogação, Sepúlveda cobrou escanteio na área, Canale se livrou da marcação de Paquetá, subiu sozinho e cabeceiou no canto, sem dar chances a Rossi.

O gol já era suficiente para o título ficar com os argentinos, mas o desastre flamenguista conseguiu ficar pior. Aquino tentou sair em velocidade do campo de defesa, levou a melhor em dividida com Pulgar e teve campo aberto para avançar. Adiantado, Rossi foi para o combate e acabou driblado. O atacante invadiu a área e marcou o terceiro.

Lanús vence Flamengo e é campeão da Recopa no Maracanã (Foto: Imago)

A temporada 2026 do Flamengo até o momento

  • Vice-campeão da Supercopa do Brasil
  • Vice-campeão da Recopa Sul-Americana
  • Semifinalista do Campeonato Carioca — já venceu o Madureira na ida (3 a 0)
  • 11º colocado do Brasileirão, com quatro pontos

Fonte Trivela

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