Anvisa proíbe venda de lotes de fórmulas infantis da Nestlé por risco de contaminação

Medida envolve recall global 

Anvisa proíbe venda de fórmulas infantis da Nestlé e orienta pais sobre recall / Foto: Reprodução

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária proibiu a comercialização, a distribuição e o uso de vários lotes específicos de fórmulas infantis produzidas pela Nestlé Brasil após a identificação de risco de contaminação por cereulide, uma toxina produzida pela bactéria Bacillus cereus que pode representar risco à saúde sobretudo de bebês e crianças pequenas. A decisão publicada no início de janeiro de 2026 tem caráter preventivo e foi adotada em conjunto com um recall global iniciado pela própria fabricante.

Os produtos afetados incluem fórmulas de diferentes faixas etárias comercializadas no Brasil. Entre eles estão Nestogeno 0 a 6 meses, várias versões do NAN Supreme Pro para faixa de 0 a 6 meses e 1 a 3 anos, Nanlac Supreme Pro, Nanlac Comfor, Nan Sensitive e Alfamino, todos produzidos sob marca Nestlé. Os lotes a serem recolhidos contemplam diversas séries impressas nas embalagens, que devem ser conferidas cuidadosamente pelos consumidores.

A medida de proibição e recall foi adotada após a detecção da toxina cereulide em ingredientes de um fornecedor global usados na fabricação das fórmulas em uma fábrica na Holanda. A toxina é produzida por cepas da bactéria Bacillus cereus e não é facilmente eliminada pelo calor ou pela preparação normal do alimento. A exposição à cereulide por meio de ingestão pode provocar sintomas como vômito persistente, diarreia, letargia caracterizada por sonolência excessiva e lentidão de movimentos e de raciocínio, além de dificuldade de reagir a estímulos.

A Anvisa esclareceu que a proibição se aplica apenas aos lotes especificados na resolução, e que os demais produtos dessas mesmas marcas que não constam na lista permanecem liberados para consumo. A decisão tem como objetivo proteger a saúde das crianças enquanto as análises seguem em andamento e reforça a atuação das agências reguladoras em situações que possam afetar grupos vulneráveis.

O recolhimento voluntário e global dos produtos pela Nestlé inclui países de várias regiões, e a empresa informa que está trabalhando com autoridades sanitárias para garantir que os produtos afetados sejam retirados de todos os mercados. A empresa afirma que não há relatos confirmados de casos de doenças associadas a essas fórmulas até o momento, mas ressalta que a ação preventiva visa assegurar a segurança alimentar das famílias.

Pais e responsáveis por crianças alimentadas com fórmulas das marcas citadas devem verificar atentamente o número do lote impresso na embalagem. Se o lote estiver entre os listados para recolhimento, o produto não deve ser oferecido ou consumido sob nenhuma circunstância até orientações específicas serem fornecidas. A Anvisa recomenda que, em caso de dúvidas sobre troca ou devolução, os responsáveis entrem em contato com o Serviço de Atendimento ao Consumidor da Nestlé Brasil, cujo número está indicado nas embalagens.

Reprodução Google

Em situações em que uma criança tenha ingerido um produto possivelmente contaminado e apresente sinais de mal-estar como os citados anteriormente, é fundamental procurar atendimento médico imediato. Ao buscar assistência, informar qual produto foi consumido e, se possível, apresentar a embalagem ou o número de lote pode ajudar profissionais de saúde a orientar corretamente.

A Nestlé anunciou que oferecerá reembolso ou substituição dos produtos afetados para os consumidores que adquiriram fórmulas das marcas e lotes envolvidos no recolhimento, procedimento que faz parte do recall global. Os responsáveis devem guardar as embalagens e comprovantes de compra para facilitar o processo de reembolso junto à empresa.

Como ocorre a contaminação?

Segundo a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA), a infecção em humanos ocorre principalmente pela ingestão de alimentos contaminados, como arroz, massas, vegetais, leite e especiarias.

A contaminação é favorecida pela capacidade dos esporos de sobreviver ao processamento térmico. Quando os alimentos não são resfriados adequadamente ou ficam armazenados em temperaturas acima do recomendado (entre 4 °C e 7 °C), os esporos podem germinar e a bactéria se multiplicar até níveis perigosos.

A EFSA destaca que não existem métodos usuais na indústria capazes de inativar a cereulide depois que ela é formada.

Tipos de intoxicação

Bacillus cereus é um agente reconhecido de intoxicação alimentar e pode causar dois quadros distintos:

  • Síndrome diarreica: provocada por uma toxina termolábil, sensível ao calor, que causa diarreia e dor abdominal.
  • Síndrome emética (vômitos): causada pela cereulide, termoestável, responsável por náuseas intensas e vômitos de início rápido.

Além da intoxicação alimentar, a bactéria pode atuar como patógeno oportunista e causar infecções graves em pessoas imunocomprometidas, como septicemia (infecção generalizada grave), meningite (inflamação das meninges), abscessos pulmonares (cavidade no pulmão cheia de pus) e endocardite (inflamação ou infecção do endocárdio, camada interna do coração).

De acordo com o StatPearls, os sintomas da síndrome emética surgem entre 30 minutos e 6 horas após o consumo do alimento contaminado e incluem náusea intensa, vômitos persistentes e, em alguns casos, diarreia. Em geral, os quadros se resolvem em até 24 horas, mas há registros raros de falência hepática grave associada à cereulide, inclusive em pessoas previamente saudáveis.

Em bebês, o risco é maior porque o organismo ainda está em desenvolvimento, com menor capacidade de metabolizar toxinas.

Por que a Anvisa agiu sem casos confirmados?

A Anvisa determinou a suspensão da venda porque, uma vez presente no produto, a cereulide não pode ser neutralizada no preparo doméstico, como fervura ou aquecimento. O órgão considerou o risco potencial grave, especialmente para lactentes, e adotou uma abordagem preventiva.

A Nestlé informou que está recolhendo voluntariamente os lotes afetados e oferecendo devolução gratuita e reembolso integral, além de reforçar que não houve registro de reações adversas até o momento.

O que pais e responsáveis devem fazer

  • Verificar o número do lote no rótulo das fórmulas listadas pela Anvisa;
  • Não oferecer o produto à criança caso ele esteja entre os lotes recolhidos;
  • Entrar em contato com o SAC da Nestlé para devolução e reembolso;
  • Procurar atendimento médico imediato se a criança apresentar vômitos persistentes, diarreia ou sonolência excessiva, levando a embalagem do produto ao consultório.

Embora a maioria das contaminações por Bacillus cereus provoque quadros leves, a presença da cereulide em fórmulas infantis é considerada crítica pelo potencial de gravidade e pela impossibilidade de eliminação da toxina no preparo em casa, o que explica a resposta rápida das autoridades sanitárias.

Fonte g1

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