12 vinhos de bom custo-benefício escolhidos pelo sommelier Dionísio Chaves
Dionísio é super reconhecido e premiado

Premiado nacional e internacionalmente, o sommelier Dionísio Chaves agora é o curador da adega do Guanabara. Nesses primeiros meses à frente de 28 lojas, ele trouxe cerca de 300 rótulos de vinhos e espumantes com importação exclusiva de oito países, além de uma seleção de marcas brasileiras. A proposta é posicionar a rede de supermercados como um dos principais destinos para compra de vinhos no Rio.
— Essa curadoria fala muito da minha vida de 30 anos no mundo do vinho. Sou apaixonado, amo o que faço. Meus primeiros dias foram fazendo a seleção, sentado na frente do computador. Peguei minhas anotações de produtores que visitei, para lembrar ao máximo dos vinhos que provei nas feiras, de produtores que conheci — revela.
Chaves explique que o mercado no Brasil tem o Chile como principal vendedor:
— O mercado é dominado mais de 40% pelo vinho chileno. No Rio de Janeiro, o português vai para 16%, 18%. O argentino, entre 15% e 16%. Em geral, no Brasi,l a Argentina é segundo lugar, mas no Rio de Janeiro, Portugal está à frente. Então eu respeitei essa proporção. E é claro que coloquei vinhos que quero desenvolver.
Ele comparou o trabalho de um sommelier ao do garimpeiro, que, “independentemente da faixa de preço, tem que buscar o melhor e ir para países, regiões e uvas que as pessoas não conhecem
— Na de R$30, por exemplo, busco os vinhos e espumantes com a melhor relação custo-benefício, o mesmo na de R$ 50, de R$ 100 e assim por diante.
Em seis meses já foram comprados 53 contêineres da bebida. Praticamente todos os profissionais da adega do Guanabara são capacitados pela Associação Brasileira de Sommeliers (ABS). A previsão de expansão é para chegar a 16 países no próximo ano. No portifólio, estão rótulos de produtores como Orlando Abrigo, Collina San Ponzio, Poggio Salvi e Palazzo Rivolo, da Itália; Antonio Saramago e Osvaldo Amado, de Portugal; Antigal e Hinojosa, da Argentina; Loma Larga e De Martino, do Chile; e Domaine Petit Jean e Breban, da França.

Confira 12 dicas do especialista:
Albert Sombres Les Anges Cuvée Réserve Brut NV (R$ 93,50) – “É um espumante produzido no Vale do Loire, por um pequeno produtor, que só faz 70 mil garrafas por ano, quase nada. As uvas são Chardonnay e Chenin Blanc. A Chardonnay é uma uva muito tradicional na França dos espumantes, é uva do champanhe. E Chenin Blanc é a uva principal do Vale do Loire, na elaboração dos espumantes e tem muitos prêmios. O método de produção é igual ao do champanhe, ou seja, um método clássico, tradicional. Nele, o espumante ganha mais complexidade, ele ganha uma estrutura maior, uma cremosidade, um aroma mais tostado.”
Veja abaixo os vinhos indicados:
Settesoli 1958 Carricante 2022 (R$ 50,85) – Da Sicília, a uva Carricante ganha destaque pela estrutura e pelo frescor. Um vinho gastronômico, vibrante e muito versátil. “A uva Carricante está crescendo muito, ressurgindo na Sicília. Produz vinhos untuosos, frutados, frescos, com uma mineralidade realmente muito boa.”
Casa Viva Reserva Chardonnay 2024 (R$ 58,30) – A Casa Viva é uma vinícola muito tradicional da região do Vale de Casablanca, no Chile, ao norte de Santiago. O clima é muito frio, devido aos ventos, a Corrente de Humboldt, que faz com que as noites sejam muito geladas. Os vinhos de lá são sempre vinhos mais frescos. As condições favorecem muito a Sauvignon Blanc, Chardonnay e Pinot Noir. Para mim, esse é um Chardonnay de um excelente nível para a América do Sul.”
Domaine Petitjean Aligoté 2023 (R$ 161,90) – Pequeno produtor da Borgonha, muito apreciado nos bistrôs franceses. A uva Aligoté volta a brilhar pela qualidade crescente dos vinhos da região. “Esse domaine está na quarta geração, ele só tem 28 hectares e faz vinhos maravilhosos. É um produtor que trabalha muito com restaurantes ,lojas especializadas. Os domaine Petitjean são um dos vinhos mais consumidos nos bistrôs franceses. Tem um toque floral e muita maciez.”
LGI Cuvée Dissenay Pinot Noir 2023 (R$ 75,90) – Elegante e equilibrado, é um Pinot Noir que encanta iniciantes e apreciadores experientes pela suavidade e finesse. “Esse vinho é meu queridinho, um Pinot Noir extremamente elegante, com boa fruta, com boa expressão da variedade. É produzido em Languedoc-Roussillon, no Sul da França, não é a Borgonha, onde a Pinot Noir mais se destaca. Mas Languedoc produz esse vinho maravilhoso.”
Marquis de Belleville 2022 (R$ 53,90) – Um Bordeaux clássico, de corpo médio, equilibrado e com final macio e persistente. “Tem como base da uva Merlot e não a Cabernet Sauvignon. É um Bordeaux mais leve, com boa fruta, elegante, fácil de beber. Tem um nível de qualidade e preço excepcional.”

Casa dos Amados Compadrio Signature 2022 (R$ 47,95) – Excelente relação custo-benefício. Nariz complexo e elegante; em boca, apresenta profundidade, equilíbrio e ótima persistência. “Aqui a gente tem um enólogo com 39 anos de experiência, o Osvaldo Amado, com mais de 700 milhões de vinhos produzidos. Antes ele era enólogo de uma cooperativa, mas saiu para o seu próprio projeto.”
Convino Chianti Riserva 2019 (R$ 92,50) – A Sangiovese em sua melhor expressão: aromas florais e de frutas vermelhas, com paladar macio, elegante e final aveludado.
Teroa Yenú Gran Reserva Cabernet Sauvignon 2023 (R$ 48,99) – Estruturado e equilibrado, com final longo e muito agradável. Um verdadeiro destaque chileno, especialmente pelo preço. “Foi o nosso primeiro vinho a chegar da importação própria. É um sucesso, estamos em terceiro contêiner. É um vinho que entrega muito, com uma qualidade extraordinária”.
Família Ontañon Boyante Ribera del Duero Crianza 2022 (R$ 134,50) – Nariz intenso de frutas maduras, especiarias e leve tostado. Em boca, tem boa estrutura, taninos finos e final longo e harmonioso. “É um vinho extraordinário, de uma família muito dedicada, que vive de fato no que produz”.
António Saramago Gran Reserva 2022 (R$ 141,40) – Aroma complexo e elegante. No paladar, destaca-se pela excelente estrutura e equilíbrio, com final longo e muito refinado. “É um vinho feito por António Saramago, uma enciclopédia no mundo do vinho em Portugal, com 63 anos de profissão. É o enólogo mais antigo vivo em Portugal. Começou com 14 anos na José Maria da Fonseca, na região e onde ele nasceu e, com 27 anos, foi para Bordeaux, onde estudou muito. Voltou para José Maria da Fonseca d e depois realizou o sonho de produzir o próprio vinho, com o nome António Saramago. Esse é um vinho que ele fez no Alentejo.”
Vinovalie Infini Blanc Doux (R$ R$ 67,75) – Vinho de sobremesa da região de Gaillac, França. Ótimo equilíbrio entre acidez e açúcar, resultando em harmonia e leveza, sem cansar o paladar. “É um vinho doce, mas que mantém uma acidez muito boa.”
Fonte O Globo



