Feminicídio: ex mata mulher a pedrada em Campos dos Goytacazes

Crime foi no bairor da Penha

Reprodução Google

A barbárie na Penha e a escalada assustadora da violência contra mulheres em Campos dos Goytacazes. Mais uma tragédia que aponta para avanço assustador da violência doméstica.

O assassinato de Amanda dos Santos Souza, morta a pedradas no Parque do Prado, ali ao lado da Penha, em Campos, é um marco trágico do tipo de sociedade que estamos nos tornando. Não é exagero afirmar que esse crime representa uma ruptura moral. Quando um feminicídio dessa natureza acontece a poucos metros de casas, de ruas movimentadas, de um bairro inteiro que acorda com a notícia de que uma mulher foi executada com pedras no chão, o Brasil precisa admitir que perdeu o controle sobre a própria capacidade de proteger suas cidadãs.

O crime cometido na Penha não é apenas um ato de violência. É um símbolo. Um retorno assustador a práticas que a humanidade, em diferentes momentos históricos, identificou como expressões máximas da barbárie. Apedrejamentos estiveram associados a regimes opressores, julgamentos arbitrários, misoginia institucionalizada. Ver, em pleno século XXI, uma mulher de 28 anos, mãe de quatro filhos, ser morta dessa forma em Campos dos Goytacazes é constatar que estamos voltando páginas que jamais deveriam ser revisitadas.

Arte – URURAU

O ex-companheiro, apontado pela polícia como principal suspeito, tem histórico de violência doméstica. Mais uma vez, um padrão conhecido. Mais uma vez, sinais ignorados. Mais uma vez, uma mulher que não teve a chance de ver a própria história interrompida antes que fosse tarde. E basta olhar os dias anteriores para entender que o caso da Penha não é isolado. Em quatro dias, três mulheres violentamente atacadas no município: uma assassinada a tiros no Parque Santa Rosa, outra espancada e encontrada desacordada dentro do Rio Paraíba do Sul, e agora Amanda, morta a pedradas.

A pergunta é inevitável: que cidade é essa onde mulheres são mortas com tamanha brutalidade em sequência? Que país naturaliza essa escalada de violência como se fosse parte do cotidiano? Estamos assistindo à repetição de padrões que lembram períodos históricos que acreditávamos superados. Quando uma mulher morre a pedradas, o crime ultrapassa a fronteira do individual. Toca o simbólico. Fala sobre retrocesso civilizatório. Evoca imagens que deveriam pertencer apenas aos livros de história e às memórias mais sombrias da humanidade.

O feminicídio na Penha é um divisor de águas porque expõe a falência completa das barreiras sociais, culturais e institucionais que deveriam impedir que um agressor reincidente tirasse a vida da mãe de quatro crianças com tamanha brutalidade. Não é apenas um caso de polícia. É um caso de país. É um caso de urgência moral.

Amanda não deveria ter morrido. Nenhuma mulher deveria. E cada feminicídio que acontece em Campos, no Rio, no Brasil, é a prova dolorosa de que estamos normalizando o intolerável, aceitando o que deveria gerar revolta nacional e permitindo que a violência contra a mulher avance como se fosse uma tragédia natural e inevitável.

Fonte: Por Fabricio Freitas /Ururau

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